Conexão ultrarrápida e furtos marcam 5ª edição da Campus Party


Com conexão recorde de 20 Gbps (gigabits por segundo), a quinta edição brasileira do encontro de tecnologia Campus Party foi realizada pela primeira vez no Centro de Exposições Anhembi durante esta semana. Neste domingo (12), quando o evento chega ao fim, é literalmente hora de levantar acampamento.

A empolgação dos chamados campuseiros com a possibilidade de baixar e subir conteúdo na internet tão rapidamente), no entanto, dividiu espaço com diversos relatos de furto, a detenção em flagrante de um suspeito de cometer esse crime e protestos dos participantes contra a falta de segurança no local.

Em sua primeira edição no Brasil, em 2008, o evento internacional para fãs de tecnologia tinha conexão de 5 Gbps. No ano seguinte, a capacidade dobrou e se manteve assim até 2011. A velocidade anunciada para 2012 no Anhembi (20 Gbps) corresponde a 20 mil vezes a de 1 Mbps, proposta pelo Governo no PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Como nos outros anos, no entanto, a capacidade de conexão — dividida entre os usuários — só foi oferecida via cabo. Nada de Wi-Fi.

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Os chamados campuseiros baixaram em seus computadores filmes, séries e músicas. No entanto, segundo a organização, a quantidade de arquivos subidos era maior do que a de conteúdo baixados, o diretor de inovação Polkan Garcia deu os números registrados na ocasião: 7 GB de upload contra 5 GB de download.

Os participantes pagaram de R$ 150 a R$ 300 para passar a semana no local, com uma agenda intensa de palestras e debates. Também segundo a organização, dos 7.000 pagantes, a expectativa era que 5.000 ficassem acampados no local. Outras cerca de 200 mil pessoas eram esperadas na área de exposição com acesso gratuito, onde o público podia participar de diversas atividades: jogar videogames, fazer maquiagem, barba e até tirar uma foto com Silvio Santos. Não o verdadeiro, claro.

O evento proíbe a entrada e consumo de bebida alcoólica e, por isso, alguns campuseiros criaram a Campus Party B, realizada fora do Anhembi a partir das 23h. Os participantes iam ao evento extraoficial para conhecer gente nova, tomar cervejas e, quem sabe, se dar bem (naquele sentido, mesmo). Por R$ 15, os organizadores da Campus Party B ofereciam uma noite open bar — os vendedores ambulantes cobravam R$ 10 por três latinhas.

Calor

Com os termômetros em São Paulo acima dos 30ºC durante toda a semana, o camping para fãs de tecnologia testou a tolerância do público ao calor. A organização informou que o espaço possui 260 ventiladores fixos (localizados no teto do pavilhão nas áreas de exposição, camping e arena), mas nem eles foram suficientes para garantir uma temperatura minimamente suportável. Foram então providenciados mais 34 ventiladores móveis para a arena.

O jeito foi improvisar: muitos campuseiros levaram seus próprios ventiladores de casa. João Pedro, 18, levou 20 kg em equipamentos do bairro de Higienópolis em São Paulo, exceto o item praticamente indispensável na Campus Party. “Quando percebi o calor que estava aqui, pedi para minha mãe trazer o ventilador de casa pra mim.”

Na contramão do cenário de intenso calor está o hidrogênio que foi levado ao local para o recorde de overclocking (técnica que força dispositivos do computador a uma potência maior que a convencional; veja fotos): por conta do elemento, as peças chegam a 100º C negativos.

Outro problema causado pelo tempo foi uma forte chuva na terça-feira (7), que atingiu o local causando estragos como uma lona rasgada e divisórias derrubadas. A água também respingou em algumas áreas do evento e alguns campuseiros relataram que a parte de exposição, aberta ao público, estava alagada. A organização afirmou que a entrada e saída de visitantes ficou interrompida “por um curto período”. Participantes também tiveram de segurar um painel que ameaçava cair por causa do vento.

A primeira edição da Campus Party no Anhembi também ficou devendo em relação à acessibilidade, com deficientes físicos fazendo queixas sobre a adaptação do pavilhão.

Furtos

A onda de furtos no local teve um estopim na noite de sexta-feira (10), quando vários campuseiros protestaram carregando até barracas no ar. A mobilização fez Mario Teza, um dos organizadores do evento, parar a palestra de Julien Forgeaud, executivo da empresa de “Angry Birds”, para convocar uma assembleia.

Começou então uma “lavação de roupa suja” entre representantes do evento e os participantes, que reclamam sobre a falta de segurança no local. A organização prometeu aumentar o quadro de funcionários para fiscalizar a área de camping. Mas isso somente na penúltima noite do acampamento, quando já haviam sido reportados o furto de computadores, mochilas, dinheiro, celular, periféricos e até roupas de dentro das barracas.

Os participantes relataram a facilidade em entrar na área paga do evento. Eles também afirmaram que os seguranças, em vez de cuidarem da área de camping, dormiam durante a noite. Queixaram-se sobre a política “austera”, que não deixou uma garota entrar com um alicate de unha. E falaram sobre uma presença que causou surpresa no local: “Como pode uma mendiga entrar no evento?”, questionou um dos participantes.

A campuseira Nilma Santos, 20, afirma ter sido furtada na madrugada de quinta (9) para sexta-feira na área de camping. Nilma disse que, de eletrônico, somente seu celular desapareceu. A jovem que foi até o evento com a caravana da Bahia disse que também sumiram de sua barraca dinheiro, roupas, brindes. “As roupas estavam todas molhadas na barraca”, disse.

Já Kenneth Corrêa, 28, relatou que estava assistindo a uma palestra na terça, quando começou a chover. Assustados, os participantes deixaram as cadeiras com medo de o palco cair. Nessa hora, Corrêa olhou para o lado e disse ter notado o sumiço de sua mochila. O prejuízo, estimado por ele mesmo, foi de R$ 4 mil.

Na tarde de quinta (9), a polícia prendeu um jovem colombiano que furtou três laptops de campuseiros. Ele, segundo testemunha ouvida pela reportagem, conseguiu entrar no evento sem identificação e colocou os computadores em uma mochila. Um participante estranhou o comportamento do suspeito e alertou os responsáveis. Em tese, sem credencial ou mesmo com a credencial de outra pessoa, o suspeito não poderia nem ter entrado.

Apesar de a própria polícia ter apontado o campuseiro como testemunha, a organização do evento tem outra versão para a história. Em comunicado, a assessoria de imprensa informou que o suspeito foi preso em função do “forte esquema de segurança”. “Houve o flagrante de um suspeito que portava três notebooks em sua mochila ao passar pela segurança que monitora a saída da Arena dos Campuseiros”, informou a nota.

Os furtos foram registrados na Deatur (Delegacia de Apoio ao Turista), que fica bem em frente ao local do evento, no Anhembi. É possível que a delegacia divulgue um balanço dos crimes após a conclusão do evento.

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